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Minha história

A precisão vem de onde ela foi treinada.

Retrato do Dr. Nicholas Setter, de terno, encostado à parede ao lado de uma janela.

Blumenau

Nascido e criado em Blumenau, passei inúmeras horas da infância dentro da clínica de oftalmologia da família. O colégio em que eu estudava ficava ao lado, e perdemos a conta de quantas vezes esperei ali a carona para casa, no fim das aulas.

Esse contato precoce com a medicina foi tornando as coisas óbvias. No segundo ano do ensino médio, ainda em Blumenau, decidi que escolheria medicina no vestibular — motivado pelo desafio de tentar o curso mais concorrido, pelo interesse que já vinha das aulas de ciências e, sobretudo, pela curiosidade enorme de um mundo novo inteiro para descobrir.

O Dr. Nicholas ainda menino, com um estetoscópio de brinquedo nos ouvidos, examinando a irmã bebê sobre a cama.

Curitiba

O início da vida longe de casa não foi fácil. Aos 16 anos, deixei as turmas de 30 e poucos alunos do ensino médio em Blumenau para ser mais um desconhecido entre os mais de 200 da sala do Curso Positivo, em Curitiba. Mas um objetivo me acompanhou o tempo todo: ser aprovado em medicina na Universidade Federal do Paraná, um dos vestibulares mais difíceis do Brasil.

Disciplina vence motivação. Com muito esforço e uma rotina quase militar, transformei em realidade o que antes era um sonho distante: aos 17 anos fui aprovado em Medicina na tão desejada “Federal”, uma escola com mais de 100 anos de tradição. Uma felicidade imensurável, e uma ficha que parece não ter caído até hoje.

Melhor ainda do que passar no vestibular da UFPR foi passar para o segundo semestre letivo. Com alguns meses de férias pela frente, embarquei para um intercâmbio de quatro meses em Londres. Apesar do orçamento curto, foram mais de dez países mochilados. Como disse Santo Agostinho, “o mundo é um livro, e quem não viaja lê apenas uma página”.

Se eu estiver sonhando, não me belisquem, porque não quero acordar. Os seis anos estudando medicina na UFPR não poderiam ter sido melhores. Das primeiras aulas de anatomia no Centro Politécnico ao primeiro contato com pacientes no Hospital de Clínicas, fiz amizades que levarei por toda a vida. Tivemos a bênção de ter como mestres alguns dos maiores médicos do Brasil, e de manter um contato íntimo com a ciência sem perder o afago necessário para ser um bom médico.

E, no apagar das luzes da faculdade, poucos meses antes da formatura, veio a pandemia. Lembramos o quanto é importante estar perto da família, mas foi também um momento de trabalho: tivemos a formatura antecipada para atuar na linha de frente daquele período histórico.

A turma de formatura em Medicina reunida na escadaria do prédio histórico da Universidade Federal do Paraná, em Curitiba.
Formatura no prédio histórico da UFPR.

A escolha da oftalmologia

A escolha pela oftalmologia não foi tão óbvia. Durante a faculdade sempre tive mais interesse pelas especialidades cirúrgicas, e até o último dia do prazo de inscrição na prova de residência o plano era fazer cirurgia geral. Mas, aos 45 do segundo tempo, resolvi marcar o “x” na oftalmologia. E não poderia ter acertado mais.

É uma especialidade que reúne técnica cirúrgica delicada, tecnologia de ponta e o cuidado com o mais nobre dos sentidos humanos: a visão. Foi assim que entrei na residência de Oftalmologia do Hospital de Clínicas da UFPR.

Os três anos de residência no HC-UFPR foram de muito trabalho. Mas ali também tive a sorte de contar com uma formação excepcional, pacientes incríveis e mentores que sempre me apoiaram. Foi o HC-UFPR que me abriu as portas para o primeiro estágio internacional: um mês morando em Melbourne, na Austrália, onde fiz um observership no Royal Victorian Eye and Ear Hospital.

Durante a residência atuamos em todas as subespecialidades da oftalmologia. Foi essa bagagem que me deu certeza da escolha de me especializar em segmento anterior — catarata, córnea e cirurgia refrativa.

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Escolhi continuar no HC-UFPR e fazer a subespecialização na instituição que me acolhia havia nove anos e que eu orgulhosamente chamava de casa. Durante esse ano, fui exposto a casos extremamente complexos: cirurgias oculares delicadas, transplantes de córnea lamelares, dezenas de anéis intraestromais e discussões de casos difíceis. Mar calmo não faz bom marinheiro.

Ao final do fellowship, deixei de lado o jaleco e mudei de papel: virei paciente. Fui submetido a uma cirurgia refrativa para correção de miopia e astigmatismo, pelas mãos do meu chefe e mentor, Dr. Glauco Mello. Escolhi a técnica de femto-LASIK e vi com meus próprios olhos — literalmente — o que ela mudou na minha rotina. Hoje realizo em meus pacientes o mesmo procedimento pelo qual passei.

Durante o fellowship no HC tive também a oportunidade — e o incentivo — de fazer o mestrado na mesma instituição.

O Dr. Nicholas, de avental cirúrgico e com um protetor transparente sobre o olho direito, ao lado do Dr. Glauco Mello, no dia da própria cirurgia refrativa.
Dando adeus aos meus 2 graus de miopia, após LASIK.

Chicago

Desde o começo da faculdade eu tinha duas certezas: queria fazer pós-graduação e queria morar um ano fora do Brasil. Depois de concluir o fellowship no HC-UFPR, veio a oportunidade. As portas se abriram e mudei-me para Chicago.

Durante doze meses atuei como Research Fellow no Illinois Eye and Ear Infirmary, da University of Illinois Chicago (UIC). Foram meses de pesquisa básica, acompanhamento de cirurgias e ambulatórios. Lá mergulhei a fundo no estudo da cirurgia refrativa, da catarata e da córnea, para oferecer o que há de mais avançado aos meus pacientes. Também apresentei trabalhos científicos em cidades como Denver, Washington, Barcelona e Copenhague.

Mas, mais do que isso, fui mentorado por um dos responsáveis pela popularização da cirurgia refrativa nos Estados Unidos e no mundo: o Dr. Dimitri Azar, a quem serei sempre grato.

Depois de Chicago, ainda passei algumas semanas na Alemanha, em um observership no Zentrum für Refraktive Chirurgie, em Münster, com o Prof. Suphi Taneri. Acompanhei de perto inúmeros casos de cirurgia refrativa — PTK, SMILE pro, CAIRS, tratamentos topoguiados e terapêuticos — e voltei para casa com uma bagagem enorme.

O Dr. Nicholas ao lado do Dr. Dimitri Azar no centro cirúrgico da University of Illinois Chicago, segurando o tratado de complicações em cirurgia refrativa editado por ele.
Recebendo das mãos do Dr. Azar um exemplar do seu último livro de cirurgia refrativa, com dedicatória.

Hoje

Logo que voltei ao Brasil, fui aprovado como aluno de doutorado da UNIFESP / Escola Paulista de Medicina. Engana-se quem acha que esta jornada se encerra com este texto — o melhor ainda está por vir.

Formação

  1. Graduação em Medicina

    Universidade Federal do Paraná (UFPR) · Curitiba

  2. Residência em Oftalmologia

    Hospital de Clínicas da UFPR (HC-UFPR) · Curitiba

  3. Especialização em segmento anterior

    Hospital de Clínicas da UFPR (HC-UFPR) · Curitiba

  4. Mestrado em Medicina Interna e Ciências da Saúde

    Universidade Federal do Paraná (UFPR) · Curitiba

  5. Fellowship em cirurgia refrativa, catarata e córnea

    University of Illinois Chicago (UIC) · Chicago, Estados Unidos

  6. Doutorado em Oftalmologia (em curso)

    UNIFESP / Escola Paulista de Medicina · São Paulo

Observerships

  • Royal Victorian Eye and Ear Hospital

    Melbourne, Austrália

  • Zentrum für Refraktive Chirurgie

    Cirurgia refrativa · Münster, Alemanha

Sociedades

  • Conselho Brasileiro de Oftalmologia

    CBO

  • American Society of Cataract and Refractive Surgery

    ASCRS

  • European Society of Cataract and Refractive Surgeons

    ESCRS

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